
Não. A dosagem de serotonina no sangue é usada para diagnóstico de tumores carcinóides. Esse resultado, até o momento, não tem função na psiquiatria. Ainda não está bem definido se existe e qual é a relação entre serotonina no sangue e serotonina cerebral. A serotonina que está circulando em nosso sangue não consegue entrar em nosso cérebro, pois não atravessa a barreira hemato-encefálica (uma barreira que tem a função de proteger o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas que possam circular pelo sangue; ela filtra o que "pode entrar").
A serotonina tem ações também em outras partes de nosso corpo que não só o cérebro, como, por exemplo, nas plaquetas (parte do sistema de coagulação) e no sistema gastrointestinal.
Estudos que tentaram verificar a associação da serotonina do sangue com o diagnóstico de depressão ou são inconclusivos ou têm resultados conflitantes entre si.
Os DIAGNÓSTICOS da psiquiatria são, na maioria dos casos, CLÍNICOS, ou seja, baseiam-se na história do adoecimento do paciente, na entrevista e no exame psíquico. Não há necessidade de exames complementares - nem de sangue e nem de imagem.
Os exames, às vezes, são solicitados para descartar outras causas físicas que possam estar causando os sintomas em investigação ou contribuindo para seu surgimento (por exemplo: cansaço, indisposição e desmotivação podem ser sintomas de depressão, mas podem, também, estar presentes em indivíduos com hipotireoidismo não tratado).
Além disso, as doenças psiquiátricas são muito mais complexas do que um simples aumento ou uma simples redução de um neurotransmissor.